Simpatizo com o Políbio Braga. Mas não porque ele está processando um integrante do blog Nova Corja. Eu simpatizo com o Políbio Braga porque ele andou elogiando os estudantes de jornalismo de uma universidade aqui do Estado. Tenho admiração por pessoas cujas opiniões são semelhantes às minhas. O Políbio chamou os estudantes de analfabetos. Eu também penso que os estudantes são analfabetos. A rigor, estudantes universitários não são analfabetos (espero que as concessões no vestibular não tenham chegado a tal ponto…). Seria melhor qualificá-los de analfabetos funcionais. Em todo o caso, analfabetos. Mas não é esse o ponto.
O ponto é que você pode calcular o nível de inteligência de uma pessoa a partir do quanto ela se sente magoada por ofensas à sua classe, seja ela qual for. São duas medidas inversamente proporcionais. O estudante que se sente diminuído diante da qualificação desabonadora do seu grupo e grita a sua raiva passa o atestado da própria estupidez. O episódio que o Políbio desencadeou é como que um teste de Q.I. que se gerou espontaneamente, sem precisarmos gastar dinheiro com papel e caneta.
O David Coimbra tocou no assunto de fundo deste post nesta sexta-feira. Eu vinha escrevendo o meu texto quando li o dele. O que o David disse colabora para uma crença que eu tenho, sobre o quanto difundida é essa admissão inconsciente da estupidez no Brasil. Talvez seja no mundo inteiro, não sei. O fato é que não tentamos mais controlar os nossos impulsos quando atingem o nosso grupo, e a nossa virulência, me parece, está cada vez mais intensa.
Se você chamar os blogueiros de idiotas, esteja certo de que farão, pelo menos e na melhor das hipóteses, uma campanha para desqualificá-lo e para ninguém mais comprar o seu jornal. Se você acusar os estudantes de Ciências Humanas de um esquerdismo meio pedestre, você vai virar objeto de chacota em alguma comunidade no Orkut. Se você chamar homossexuais de promíscuos, você provavelmente levará um processo. Você não mais pode, impunemente, escarnecer de feministas, nordestinos, gaúchos, mineiros, maconheiros, heterossexuais, brancos, europeus, coprófilos, abstêmios, católicos, judeus, muçulmanos, anões, obesos, mulheres, homens, bebês, torcedores do Grêmio, etc., etc.
Estou convencido - para soar com o Lula - de que o humor é uma forma de inteligência. E o humor auto-referencial uma forma de inteligência ainda mais sofisticada. Aceitarmos uma ofensa ao nosso grupo, seja o quanto exagerada ela for, é uma maneira de se colocar acima dela e não vestir o chapéu. Eu admito que sou um analfabeto no momento em que ruborizo de raiva à acusação de que estudantes de filosofia são analfabetos. Você - estudante de jornalismo da Unisinos presente à palestra do Políbio - não é analfabeto? Ok, ria da ofensa e esqueça dela, então, mané. Simples assim.
* Vê-se, pela qualidade, que a frase do título não é minha.

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